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12 de Dezembro de 2018

Sou jovem, por isso não sou um bom profissional?

Nem toda (quase nenhuma ou nenhuma) generalização é útil. Generalizar é dar voz ao desconhecimento.

Certa vez um cliente me confidenciou que, ao contar em uma roda de amigos quem era a sua advogada, outro advogado o indagou se ele "era louco de estar trabalhando num caso tão difícil com uma pessoa assim, jovem".

Não gosto de generalizações.

Reconheço que temos uma parcela da geração de jovens que são sim descompromissados e que não se esforçam o suficiente para entrar no mercado de trabalho com excelência. Como também existem muitos profissionais experientes que não podem ser qualificados como bons tão somente pelos anos de profissão (esse não pode ser o critério exclusivo).

Concordo também que a experiência ajuda e muito na melhoria da profissão, mas, se não deixarmos os jovens tentarem, quando irão adquirir essa experiência?

É incrível como quando estou em um atendimento percebo "o pé atrás" do cliente de início. Quando ele me vê, me julga sem me ouvir e, ao final, comenta sobre essa primeira impressão que teve. Você se impõe, sem dúvidas, faz o seu melhor para demonstrar seu potencial, mas você sempre precisa passar por um processo de convencimento, não porque você não entende da matéria ou não sabe sobre a própria profissão, mas porque é jovem ou aparenta ser (entre outros julgamentos físicos que não pretendo me ater neste momento).

Chego a "brincar" com alguns colegas que se uma pessoa com idade maior que a minha pegou a carteira da ordem juntamente comigo, tem outro respeito do público em geral. As pessoas não o veem como alguém novo ou inexperiente na profissão, quase ninguém questiona há quantos anos a pessoa está na profissão se ela possuir mais idade. E isso faz diferença para se conseguir alguns trabalhos.

Ouço muito a seguinte frase: “olhei a petição contrária e a OAB é de um jovem advogado, então está tranquilo”. Eu sempre questiono quem assim fala se só pelo número da ordem a pessoa já consegue concluir que aquele profissional não possui conhecimento de causa e não lutará com toda garra por seu cliente... (friso aqui que meus exemplos sempre giram em torno da advocacia pois é o que eu vivencio mas, sem dúvidas, isso vale para qualquer profissão).

Com esses pensamentos à mente, trouxe o assunto a tona em uma reunião e me disseram que eu deveria me acostumar “pois é assim em qualquer profissão”. Concordo, mas não me conformo.

Se a questão é cultural, porque não tentarmos campanhas, publicarmos textos, conversamos com nossos familiares, entre outros meios, para demonstrar que não devemos julgar a capacidade de ninguém por sua aparência ou idade?

Nelson Rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”. Generalizar com base em alguns tira da pessoa a capacidade na construção de um bom argumento.

Enfim, sou da seguinte opinião: Conheçam o profissional, sendo ele iniciante ou não na carreira, independente de qualquer estereótipo. Só depois então tirem suas próprias conclusões (e não a de terceiros).

Se mesmo tentando vocês não gostarem da sua metodologia de trabalho ou não se sentirem confiantes naquilo que o profissional lhe oferecer, ai sim, busquem outro, mas não tratem todos da mesma forma por conta deste, pois o bom mesmo é ter certeza do que se afirma e se você não conhece a todos, não generalize.

32 Comentários

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Excelente, Gláucia. Muito bom, mesmo. É a grande questão do preconceito: ele só pode ser derrubado e superado com informação sobre as alternativas. Informar-se sobre a atuação e competência do profissional é fundamental, independente da idade ou tempo de atuação. Parabéns pelo texto! continuar lendo

Excelente matéria !

Muitas vezes nos deparamos com esta situação, infelizmente a maior parte da população tem essa impressão equivocada que um "advogado", por ser novo não transmite tanta credibilidade pela pouca idade, fazem a incorreta alusão que por ser novo não tem experiência, ou conhecimento sobre como agir , ou o que fazer !

Reversamente ao que pensa grande parte da população, a grande maioria de novos "advogados" estão extremamente preparados e atualizados em todos os âmbitos do direito, uma porque estudaram diuturnamente para serem aprovados na prova da OAB, outra porque, querem ganhar espaço, demonstrar capacidade, qualidade,estudando cada possibilidade e até mesmo as decisões dos julgadores . Temos de prezar os mais experientes, mas da mesma forma valorizar os novos profissionais pela competência e forma de atuação ! continuar lendo

Excelente artigo Gláucia, muito simples a compreensão do que escreveste. A escolha do artigo e a escrita por sua vez foram de fácil entendimento, de forma que através de somente iniciar a leitura dele, não quis parar de ler. Parabéns, sua abordagem foi notória do que realmente acontece nos dias de hoje, que podemos então denominar de pré-julgamento, pré-conceito, falta de opinião própria, dentre outros. Apenas para frisar meu comentário sobre a profissional que me estimulou a também escrever e me empenhar para o meu melhor, digo à Dr. Gláucia, meus parabéns! Pois este artigo é animador, pois posso através dele perceber que meu conceito filosófico não é único, mas sim compartilhado em pensamento por uma minoria, minoria esta que somos nós aqui comentando o belo artigo da jovem advogada! continuar lendo

Ser jovem não quer dizer que não será um bom profissional. Dou apenas um conselho, para quem quer abraças a profissão que escolheu. No nosso caso a "Advocacia".
1º procure vestir-se com discrição, se for advogada, roupas tipo conjuntinho, cabelos bem penteados, cheirosa, se tiver tatuagem, não deixar a mostra (tatuagem atrapalha a profissão).
2º para os homens, o básico: Termo e Gravata, cabelos curtos, sapato limpos e uma boa conversa, sem usar girias ou gesticulações, também, esconder as tatuagens (tatuagens, cria um certo constrangimento para um futuro cliente). Conheço muita gente, que jamais contrataria um advogado (a) que tivesse tatuagem a mostra.
3º suprido a vestimenta, como o acima exposto, "encarar a profissão e abrir um escritório, em local que circule muita gente, em especial perto de terminal de onibus, porque é o povo mais humilde que precisa de advogado. Porque o povo da classe média ou classe média alta, normalmente já tem advogado na família e não contrata advogado desconhecido.
4º Ser comunicativo (a), conversar com os vizinhos, com os funcionarios da padaria, do supermercados, distribuir cartão de visita enfim em qualquer lugar que vá, até no ponto de onibus, seja humilde, informe que é advogada (o) recem formado, caso faça consulta sobre um problema que não conheça, informe ao cliente que vai estudar o problema e no dia seguinte dará seu parecer (nesse meio de tempo, consulte um ou mais advogados com mais bagagem ou faça parceria) e atenda o cliente, nunca deixe o cliente na duvida. Lembra-se para ser um bom advogado (a), tenha uma agenda onde vc poderá anotar tudo. Consulte sempre um colega com mais experiencia, nunca se aventure num processo se não tiver conhecimento jurídico, porque poderá causar prejuízos ao cliente. Conheço um montão de advogados que tem o maior prazer em ajudar um" colega " em dificuldades.
Vá em frente,. não dê ouvidos para àqueles que se frustaram na profissão. continuar lendo